terça-feira, 23 de março de 2010

Australiano com sangue raro já salvou 2,2 milhões de bebês

Plasma sanguíneo de James Harrison é usado em vacina.
Em mais de uma década, ele fez 984 doações de sangue.


O australiano James Harrison, dono de um tipo sanguíneo raro, já salvou a vida de 2,2 milhões de recém-nascidos, incluindo a do próprio neto.


Seu plasma sanguíneo é usado na criação de uma vacina aplicada em mães para evitar que seus bebês sofram da doença de Rhesus, também conhecida como doença hemolítica ou eritroblastose fetal.
A doença causa incompatibilidade entre o feto e a mãe. A doença acontece quando o sangue da mãe é Rh- e, o do bebê é Rh+. Após uma primeira gravidez nestas condições ou após ter recebido uma transfusão contendo sangue Rh+, a mãe cria anticorpos que passam a atacar o sangue do bebê.
Vacina Anti-D previne a formação de anticorpos contra eritrócitos Rh-positivos em pessoas Rh-negativas


O sangue de Harrison, de 74 anos, no entanto, é capaz de tratar essa condição mesmo depois do nascimento da criança, prevenindo a doença.

Após as primeiras doações à Cruz Vermelha australiana, descobriu-se a qualidade especial do sangue de Harrison. Foi quando ele ganhou o apelido de "o homem com o braço de ouro".

"Nunca pensei em parar de doar", disse Harrison à mídia local. Em mais de uma década, ele fez 984 doações de sangue e deve chegar a de número mil ainda nesse ano.

Harrison se tornou voluntário de pesquisas e testes que resultaram no desenvolvimento de uma vacina conhecida como Anti-D, que previne a formação de anticorpos contra eritrócitos Rh-positivos em pessoas Rh-negativas.

Antes da vacina Anti-D, Rhesus era a causa de morte e de danos cerebrais de milhares de recém-nascidos na Austrália.

Aos 14 anos de idade, Harrison teve de passar por uma cirurgia no peito e precisou de quase 14 litros de sangue para sobreviver. A experiência foi o que o levou, ao completar 18 anos de idade, a passar a doar com constância o próprio sangue.
Seu sangue foi considerado tão especial que o australiano recebeu um seguro de vida no valor de um milhão de dólares australianos, o equivalente a R$ 1,8 milhão.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mortes por diabetes aumentam no Brasil

O perfil da mortalidade no Brasil está mudando. Cada vez mais pessoas estão morrendo de diabetes, fato que é atribuído pelo Ministério da Saúde ao aumento de pessoas com excesso de peso.
Em 1996, as mortes pela doença eram de 16,3 habitantes em cada 100 mil, taxa que passou para 24 a cada 100 mil em 2006. Os dados se referem à população entre 20 e 74 anos.
O aumento ocorre principalmente entre os homens com mais de 40 anos --2,3% ao ano, em média, considerado todo o período. Entre as mulheres da mesma faixa etária, o crescimento foi de 1% ao ano.
O retrato é tímido, já que se refere somente às mortes que tiveram o diabetes como principal causa (indicadas assim no atestado de óbito), não levando em consideração as doenças decorrentes dela.

Por outro lado, problemas cardiovasculares estão matando menos, apesar de liderarem o ranking das causas de morte (são 29,4% das conhecidas). A taxa passou de 187,9 por 100 mil habitantes para 149,4.

A queda é atribuída a tecnologias mais avançadas, ampliação dos acesso à saúde e, em grande parte, redução do tabagismo. Em 1989, uma pesquisa nacional apontou que 31% dos brasileiros eram fumantes. Em outro levantamento, feito em 2008 com moradores de capitais, o percentual foi de 16,1%.
Entre as doenças cardiovasculares, os principais vilões são AVC (acidente vascular cerebral), obstrução arterial e infarto do miocárdio. O câncer foi a segunda maior causa de morte registrada, responsável por 15% dos óbitos no país em 2006. Em terceiro lugar, vieram causas externas, como homicídios e acidentes de trânsito (12,4%). O ranking repete os últimos dados disponíveis até então, relativos a 2005.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Familia: um grande amor

A filosofia traz em sua palavra a presença do amor, posto que 'philo' significa amor e 'sophia', saber. A palavra 'philosophia' significa, então, 'o amor ao saber'.


E se invertêssemos a ordem? "Sophiaphilo". Poderíamos falar em 'saber ao amor'?
Como a sabedoria pode nos auxiliar no aprendizado do amor? Sentimento, tantas vezes paradoxal, nem sempre é coerente com a construção do saber.
Amar é um aprendizado a partir da experiência com o outro, uma troca de cuidados que se inicia na família, quando mãe e filho são um único ser.
Esse saber cresce na relação com os irmãos e com os amigos, na percepção das semelhanças e diferenças, presente entre esses; esbarrando na identificação e/ou repulsão aos antepassados.
Família, constituição necessária, instintiva e formativa. Grupo, clã, tribo. Inserção fixada pelos genes e pela cultura. Família de pessoas que acolhemos, e que nos adotam, por afinidade.
São tantas as formas de amor, que é difícil estabelecer parâmetros entre elas.
O único parâmetro é o próprio amor, o respeito à dignidade do outro como ser vivente, como parte do grupo que se intitula imagem e semelhança de Deus.
Saber amar, construindo um conhecimento nessa arte, é a busca essencial de todo grupo que se propõe como humano, a caminho de sua divindade transcendente.

sábado, 14 de novembro de 2009

Cerca de 30% dos diabéticos não sabem que têm a doença, diz associação

Cerca de 10% da população brasileira, algo em torno de 11 milhões de pessoas, são portadores de diabetes, de acordo com dados da Associação Nacional de Diabetes (Anad). Desse total, cerca de 30% não sabem que têm a doença. De acordo com a associação, os números fazem parte de pesquisas do Ministério da Saúde e de entidades científicas.
O presidente da Anad, Fadlo Fraige, alerta para a necessidade de exames regulares de glicemia em obesos, hipertensos, pessoas com nível de colesterol aumentado e com casos de diabetes na família.

"Um dos grandes problemas das estimativas é que desses 11 milhões de pessoas, talvez nós tenhamos diagnóstico de cerca de seis ou sete milhões. Outros 30% ou 35 % têm a doença e ainda não sabem. Então, é fundamental que façam regularmente os exames", frisou.

O médico ressaltou que os obesos necessitam de um cuidado maior. "O valor total da alimentação tem que ser restringido para que a pessoa, além de controlar a glicemia, tenha uma perda de peso, o que é extremamente benéfico ao diabético. Então todos os alimentos que se transformam em glicose rapidamente, ou indiretamente, tem que ser abolido, como o açúcar comum, ou restringido, a exemplo dos carboidratos."
O presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Reginaldo Alburqueque, disse que está preocupado com a doença na infância. Segundo o médico, o diabetes do tipo 2, mais comum em adultos acima de 40 anos, tem aparecido também em crianças.
"A vida em frente à televisão, ao computador, o controle remoto, os carros que não exigem nenhum tipo de esforço para levantar o vidro, essa automatização da sociedade e os maus hábitos alimentares têm aumentado a incidência de crianças e jovens, não com a diabetes do tipo 1, mas sim com a diabetes do tipo 2."

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Antibióticos na gravidez podem causar malformação


O uso de algumas classes de antibióticos no tratamento de infecções urinárias durante os três primeiros meses de gravidez pode aumentar o risco de o bebê nascer com malformações, diz estudo publicado na revista "Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine".

Os defeitos congênitos foram relacionados ao uso de sulfonamidas e nitrofurantoinas. Já a penicilina e seus derivados foram considerados seguros.

O estudo foi realizado pela geneticista Krista Crider, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. Ela analisou o uso de antibióticos na gravidez de 13.155 mulheres que tiveram filhos com uma das mais de 30 malformações congênitas e comparou com os resultados de 4.941 mulheres selecionadas aleatoriamente, que viviam na mesma região, e tiveram filhos saudáveis.

A pesquisadora constatou que as penicilinas e cefalosporinas, apesar de comumente usadas por mulheres grávidas, não foram associadas aos defeitos de nascimento. Já os medicamentos sulfonamidas e nitrofurantoinas foram associados com vários defeitos, como malformações cardíacas, fendas na face, problemas de intestino e até anencefalia.

O ginecologista Nilson Abrão Szylit, do hospital São Luiz, disse que as sulfonamidas e nitrofurantoinas já não eram recomendadas no começo da gestação, pois não havia estudos que garantissem a segurança. "O simples fato de não sabermos se é seguro já é motivo para não indicarmos", diz.

Quando a gestante tem infecção urinária, o ideal é tratar com penicilina, que não traz problemas. Em casos de alergia, a mulher pode usar a cefalosporina. "A droga de escolha na gravidez, sempre que possível, é a penicilina", diz Szylit.

O ginecologista Rodrigo Ruano, professor da USP, diz que o estudo confirma a existência de complicações associadas ao uso de antibióticos, mas reforça que o tratamento das infecções é fundamental para garantir a saúde da mãe e do bebê. "Se a mulher não tratar, o parto pode ser prematuro, pode haver rompimento de bolsa", diz.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Câncer de colo de útero é o segundo tipo que mais mata

Existem diversos fatores de risco identificados para o câncer do colo do útero, sendo que alguns dos principais estão associados às baixas condições sócio-econômicas, ao início precoce da atividade sexual, à multiplicidade de parceiros sexuais, ao tabagismo, à higiene íntima inadequada e ao uso prolongado de contraceptivos orais.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, INCA, estudos recentes mostraram que outro importante fator pode causar a doença, o vírus do papiloma humano (HPV) que tem papel importante no desenvolvimento do câncer de colo uterino, e está presente em mais de 90% dos casos dessa doença. Esse vírus provoca formação de verrugas genitais e não tem tratamento especifico, podendo acometer colo de útero, vagina, vulva e glande do pênis. Há mais de 40 subtipos desse vírus. Ele está presente em mais de 90% dos casos de câncer do colo do útero e também é conhecido pelo nome de cancro ou crista de galo.

Mesmo com as diversas campanhas do Ministério da Saúde o número de novos casos de câncer do colo do útero no Brasil no ano de 2008, superou os 18 mil (um risco estimado de 19 casos a cada 100 mil mulheres). A incidência é cerca de duas vezes maior em países menos desenvolvidos comparado com os mais desenvolvidos. A doença torna-se evidente na faixa etária de 20 a 29 anos e o risco aumenta rapidamente até atingir seu pico geralmente entre 45 a 49 anos.

Prevenção e Tratamento

De acordo com Alice Helena Rosante Garcia, médica oncologista, o contágio acontece pela relação sexual. Segundo ela, a prevenção se dá pela prática segura do sexo, além da realização do exame preventivo, conhecido popularmente como papanicolaou, uma vez ao ano. Toda mulher, em atividade sexual ou não deve submeter-se ao exame preventivo periódico, especialmente se estiver na faixa etária dos 25 aos 59 anos de idade.

Depois de muitas pesquisas, há cerca de dois anos foi finalmente liberada uma vacina para prevenção do HPV. No momento está em estudo no Ministério da Saúde a aplicação desse medicamento pelo SUS. É importante enfatizar que a vacina não protege contra todos os subtipos do HPV. Sendo assim, o exame preventivo deve continuar a ser feito mesmo em mulheres vacinadas. “Qualquer médico pode receitar a vacina, desde que a paciente respeite a faixa etária de 9 a 23 anos”, explica Garcia.

Segundo a médica, os principais sintomas do câncer do colo do útero são sangramento vaginal, corrimento, dor e desconforto durante as relações sexuais. O tratamento adequado para cada caso varia conforme a extensão da doença E deve ser avaliado e orientado por um médico.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Obama acaba com proibição de que pacientes com HIV entrem nos EUA

Achei simplesmente incrivel este progresso na humanidade. Esta semana participei de um curso de HIV/AIDS, onde vi de perto relato de pacientes portadores do virus e da doença, e era explicito o preconceito que eles sofrem. Porém, graças a Deus, ainda vivemos em uma país onde a democracia "impera" e o direito de ir e vir ainda é preservado.
Obama está começando uma nova era no EUA e no mundo, com quebra de barreiras raciais e sociais.
Estou muito orgulhosa e feliz com esta noticia.



Ele assinou extensão de leis que provêm tratamento para infectados.
Banimento já durava 22 anos.

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta sexta-feira (30) o fim da proibição de que pessoas infectadas com o vírus HIV, da Aids, entrem nos Estados Unidos.

A proibição, que já durava 22 anos, acaba na segunda-feira, segundo Obama.

Obama fez o anúncio durante a assinatura da extensão do Ato Ryan White de Tratamento do HIV/Aids, que provê programas de educação, prevenção e tratamento para pacientes norte-americanos.

Obama argumentou que a proibição havia sido imposta em uma época em que os visitantes infectados eram tratados como uma "ameaça".

"Nós lideramos o mundo quando se trata de ajudar a conter a pandemia de Aids. Apesar disso, ainda somos um dos poucos países que ainda barram pessoas com HIV de entrar em nosso território", disse Obama. "Se nós queremos ser líderes mundiais no combate ao HIV/Aids, precisamos agir como líderes."

Ele afirmou que na segunda-feira o governo publicará uma norma definitiva que elimina a proibição de viagens que entrará em vigor em 2010.

O vírus da Aids infecta 33 milhões de pessoas em todo o mundo e cerca de um milhão de pessoas nos EUA.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Para nascer na hora certa


Uma das utopias dos obstetras é descobrir um jeito extremamente eficaz de predizer se a criança deixará o ventre materno antes do momento esperado. Esse sonho, compartilhado pelos futuros pais, instiga os cientistas a investigar métodos mais aptos a profetizar o término exato da gravidez e acertar em cheio a data do nascimento.

Com essa informação em mãos, seria possível acompanhar a gestação com cautela e, quando necessário, dispor de medidas terapêuticas com o objetivo de postergar a chegada do pequeno. Isso porque os especialistas estão cansados de saber que o fruto de um parto precoce, aquele que se antecipa à 37a semana, costuma sofrer para ingressar no mundo pósbarriga. “A prematuridade é a principal causa de morte e complicações dos recém-nascidos”, afirma o obstetra Roberto Bittar, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Nesse cenário, a ideia de pesquisadores sediados em Gotemburgo, na Suécia, foi analisar um painel de proteínas encontradas no colo do útero e no líquido amniótico que acusam se a gestação se encerrará antes dos nove meses. Em um trabalho publicado no periódico do Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, eles mostraram, após avaliar 89 mulheres, que o teste de rastreamento dessas substâncias teria uma eficiência de 90%. Quando o resultado é positivo, há razões suficientes para os especialistas interferirem para segurar os eventuais bebês apressados.

A identificação desses marcadores de risco abre caminho a um exame ainda mais preciso para o pré-natal. Talvez nem todas as gestantes necessitem se submeter a ele um dia — que seja útil apenas às pacientes de risco. “Tudo vai depender do custo/benefício”, opina o obstetra Tenílson Amaral Oliveira, do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista. A vantagem seria apontar com maior precisão, entre aquelas em pretenso trabalho de parto, quem, de fato, vai dar à luz mais cedo.

Já na Inglaterra, cientistas do Imperial College London desvendaram uma proteína-chave no desenrolar desse quadro. Eles notaram que a substância comanda um processo inflamatório responsável por contrações anormais do útero. E conseguiram brecar, em laboratório, as reações disparadas por ela. Até que o mesmo resultado se concretize no corpo feminino, há alguns anos pela frente. O desafio não é pequeno devido à complexidade do assunto. “Ainda estamos longe de saber tudo o que está relacionado ao trabalho de parto prematuro”, diz Bittar.

Embora a maioria dos partos prematuros seja espontânea, uma parcela é induzida pelos próprios especialistas. “Em 25% dos casos o médico opta por interromper a gestação antes dos nove meses”, estima Bittar. “É uma prematuridade terapêutica, porque o objetivo, aí, é salvar a vida da criança”, justifica o obstetra Soubhi Kahhale, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo.

O procedimento, também adotado se a gravidez oferece perigo à mãe, entra em cena quando uma doença materna impõe sofrimento ao pequeno. “A hipertensão, por exemplo, dificulta o fluxo sanguíneo para o feto, diminuindo o fornecimento de oxigênio e nutrientes e oferecendo até ameaça de morte”, explica o obstetra Olimpio Barbosa de Moraes Filho, da Universidade de Pernambuco.

Por isso, é imprescindível escoltar a gestação e suspeitar do que interfere em seu desfecho precoce — espontâneo ou não. Afora o acompanhamento clínico, hoje existem dois exames que visualizam o adiantamento da cegonha. Esses métodos costumam ser preconizados, a partir da 22a semana, a gestantes de risco, que já tiveram partos prematuros ou com dores e contrações intensas. O primeiro se vale de um ultrassom para medir o colo do útero. “Quanto menor o tamanho, maior a chance de um parto prematuro”, resume Tenílson Oliveira.

E o segundo é a dosagem de fibronectina, uma proteína coletada na vagina que indica a probabilidade de um nascimento ser capaz de furar o calendário. Normalmente, esse dedo-duro fica colado à membrana que recobre o feto. “Quando ela começa a desgrudar por causa das contrações, a fibronectina se desprende em direção à vagina”, explica Oliveira. “Se o resultado do teste for negativo, a chance de a paciente ter parto prematuro é menor que 1%”, conta Bittar. O problema é a situação inversa. “O exame resulta em muitos falsos positivos. Metade das mulheres com uma resposta afirmativa não enfrentará um parto antes da hora”, reconhece Tenílson. Ainda assim, por precaução, a presença da tal proteína sugere um cuidado redobrado com a grávida, que, se preciso, deve ser hospitalizada.

Outra medida revolucionária na prevenção do parto precoce foi introduzida por uma equipe do Hospital das Clínicas paulistano há seis anos. Ela provou que o uso de progesterona natural, o hormônio que mantém a gestação, é uma estratégia segura e eficiente para prolongar a estada do bebê no útero. “A progesterona reduz em 50% o risco de prematuridade em mulheres com histórico do problema”, diz Bittar, que orientou os estudos. Ela deve ser aplicada diariamente na forma de uma cápsula introduzida na vagina. “Utilizado entre a 16a e a 36a semanas de gestação, o hormônio diminui as contrações do útero e é um anti-inflamatório local.”

Quando há fortes indícios de que o novo integrante da família chegará com antecedência, os médicos também lançam mão de recursos que visam ao menos adiar em até algumas semanas o fim da gravidez. “Hoje há drogas inibidoras de contração sem os efeitos colaterais do passado”, diz Kahhale. Sem falar em tratamentos que garantem o melhor desenvolvimento da criança. Tanto esforço faz sentido. “A melhor UTI neonatal é o ventre materno, desde que, é claro, ele não esteja prejudicando o bebê”, sentencia Kahhale.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Respiração boca a boca reduz chances de sobrevivência

Antes preconizada como parte importante da ressuscitação cardiopulmonar, a respiração boca a boca prejudica o procedimento e reduz as chances de sobrevivência do paciente com parada cardíaca.

Estudos apontam uma taxa de sobrevivência três vezes maior em pessoas submetidas apenas às compressões contínuas no peito até a chegada de socorro. Por esse motivo, a Ilcor (Aliança Internacional dos Comitês de Ressuscitação, na sigla em inglês), entidade que reúne as principais associações de cardiologia, mudará a partir de 2010 as diretrizes para procedimentos de emergência em parada cardíaca. De acordo com a nova orientação, somente a massagem cardíaca deverá ser aplicada pelo leigo.

"É simples entender por quê. Quando o coração para, o mais importante é manter o fluxo sanguíneo com a compressão. A respiração boca a boca é uma das causas que levam a diminuição do fluxo," afirma o cardiologista Sérgio Timerman, do InCor (Instituto do Coração).
O consenso será publicado nos principais periódicos internacionais de cardiologia em outubro de 2010, mas já vem sendo discutido em vários países, incluindo o Brasil.

O voluntário deve ficar ao lado do paciente e iniciar as compressões, pressionando a região entre os mamilos 4 cm para baixo e retornando à posição inicial até a ajuda chegar.

"O leigo deve esquecer a respiração boca a boca e aplicar somente compressão a partir de agora. Essa é uma das maiores descobertas da emergência cardiovascular dos últimos tempos. Para médicos, a orientação é que a massagem deve ser prioridade, antes de se preocuparem com choque, medicamentos etc.", afirma o cardiologista Manoel Canesin, coordenador do Centro de Treinamento em Emergências Cardiovasculares da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Haverá mudanças também com relação ao uso do desfibrilador. A aplicação de choque pode ocorrer antes da massagem somente até cerca de quatro minutos após a parada do coração. Depois desse tempo, a compressão deve preceder o uso de desfibrilador. Isso porque, após esse período, há alterações metabólicas no organismo e o coração precisa ser preparado com a compressão antes de receber o choque.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Uma em cada cinco crianças não recebe vacinas, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou nesta quarta-feira que nunca antes houve um registro maior de crianças vacinadas no mundo, mas, mesmo assim, uma criança em cada cinco - a maioria em países pobres - ainda não recebe vacinas.

No ano passado, 106 milhões de crianças foram vacinadas contra doenças como sarampo, tétano e difteria. Trata-se do maior número já registrado pela entidade, segundo um novo relatório.

Porém, 24 milhões de crianças ainda não têm acesso à imunização.
Países da África e da Ásia são os que mais sofrem com a falta de vacinas, sobretudo em áreas de conflito onde não há serviços médicos.

Pobres e ricos

A OMS pediu que mais dinheiro - cerca de US$ 1 bilhão por ano - seja investido para garantir a imunização das crianças.
A entidade estima que, se 90% das com menos de cinco anos de idade receberem vacinas, dois milhões de vidas seriam salvas por ano.

"A morte por sarampo caiu 74% entre 2000 e 2007, e as vacinas tiveram um papel importante nesta queda", disse a diretora-executiva da Unicef, Ann Veneman, comentando o relatório da OMS.

A organização disse que o desenvolvimento de vacinas novas e mais caras fará com que os custos de saúde pública subam no mundo. Segundo o relatório, o custo médio de vacinas por criança subirá de US$ 6, em 2000, para US$ 18, no próximo ano.

O anúncio da OMS coincide com a chegada de milhões de lotes de vacina contra a gripe suína em países ricos.

A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, alertou para a necessidade de dar acesso a vacinas também aos países pobres.

"A pandemia de gripe chama a atenção para a promessa e o dinamismo do desenvolvimento de vacinas hoje", disse Chan.

"No entanto, nos lembra mais uma vez dos obstáculos em levar os benefícios da ciência às pessoas dos países pobres. Nós precisamos vencer as barreiras que separam os ricos dos pobres - entre aqueles que recebem vacinas que salvam vidas e aqueles que não as recebem."

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Duas ou mais gestações elevam em 60% risco de síndrome metabólica

Mulheres que têm filhos são mais suscetíveis a desenvolver síndrome metabólica, revela um estudo do Kaiser Permanente (EUA) com 1.451 participantes. No início do trabalho, elas tinham de 18 a 30 anos e nenhuma delas era mãe. Ao longo de duas décadas, 359 engravidaram e 259 apresentaram síndrome metabólica, um conjunto de sintomas associado à elevação do risco de doenças cardiovasculares.

Depois de fazer ajustes estatísticos, os autores descobriram que uma gravidez única e saudável aumenta o risco de síndrome metabólica em cerca de 30%, enquanto duas ou mais gravidezes saudáveis elevam a chance em 60%. Entre as que tiveram diabetes gestacional, o risco mais do que dobrou.

Segundo o endocrinologista Bruno Geloneze, coordenador do Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), acredita-se atualmente que o ideal seja ter de um a três filhos. "A novidade desse trabalho é contestar o conhecimento vigente, apontando para o risco de síndrome metabólica já a partir do fato de conceber pela primeira vez."

As mulheres que desenvolveram a síndrome eram mais pesadas, tinham cintura mais larga, comiam menos fibras, tinham menos escolaridade e eram menos ativas --o que era esperado. "Mas durante o seguimento foi feito um ajuste estatístico para IMC e atividade física, indicando que a mudança explicaria apenas uma parte do maior número de casos de síndrome metabólica nas que engravidaram, sugerindo outro mecanismo subjacente", diz.

Segundo ele, a hipótese mais razoável é a de que a gravidez leva a alterações metabólicas decorrentes do acúmulo de gordura visceral. "Médicos e pacientes devem estar atentos a medidas preventivas e de detecção da síndrome", afirma.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Psicopatas são distraídos, e não frios, diz estudo

Um deficit de atenção, em vez da incapacidade de sentir emoções, pode ser o que faz os indivíduos psicopatas parecerem valentes. Trata-se de uma constatação que desafia o estereótipo comum dessas pessoas como predadores de sangue-frio.

"Muitos dos problemas deles podem ser consequência de algo que é quase como uma dificuldade de aprendizagem", afirma Joseph Newman, psicólogo da Universidade de Wisconsin-Madison que investigou como prisioneiros com personalidades com características de psicopatia reagiam quando situações de dor eram antecipadas.

Experimentos prévios sugeriram que muitas pessoas podem não sentir medo, enquanto estudos sobre imagens cerebrais encontraram anormalidades na amígdala cerebral, região que processa medos e demais emoções. Isto encorajou a percepção de que eles são "emocionalmente superficiais", afirmou Newman. "Pessoas os chamam de predadores a sangue-frio". Mas ele questionou se essa era a versão completa da história.

Narcisistas, impulsivos e cruéis

Com o intuito de entender por que pessoas se comportam desta forma, a equipe de Newman selecionou 125 prisioneiros do sexo masculino condenados por crimes sérios e com traços de personalidade pontuados como psicopatas --incluindo narcisismo, impulsividade e crueldade. Por volta de 20% deste grupo tiveram pontuações tão altas para serem descritos como psicopatas --uma proporção típica na população de criminosos, mas bem acima do 1% esperado na população em geral.

Os pesquisadores então colocaram um dispositivo que mede a intensidade das piscadas em cada prisioneiro --uma indicação da forma como sentem medo-- e posicionaram uma tela à frente deles.

Os temas de tarefas eram dados em letras verdes ou vermelhas que piscavam na tela --um choque elétrico seguia-se, algumas vezes, às letras vermelhas, mas nunca às letras verdes.

Quando instruídos a apertar botões para indicar se as letras eram verdes ou vermelhas, os indivíduos com características marcantemente psicopatas vacilaram na resposta às letras vermelhas do mesmo modo que outros presos hesitavam.

Entretanto, quanto eles foram orientados a indicar se as letras eram maiúsculas ou minúsculas, os prisioneiros psicopatas nem sequer pestanejaram ao ver as letras vermelhas, enquanto os outros presos prosseguiram antecipando o choque leve.

Isso sugere que os indivíduos psicopatas sentem medo tanto quanto qualquer outra pessoa, e só aparentam não ter medo porque têm grande dificuldade de prestar atenção em diferenciar o que é assustador e o que não é, observa o pesquisador. Newman espera que sua hipótese possa ser usada para desencorajar reincidência em crimes cometidos por psicopatas. "Eles são famosos por serem difíceis, senão impossíveis de tratar."

Donald Hands, diretor de psicologia do Departamento de Correção de Wisconsin, está trabalhando com Newman para desenvolver um programa de tratamento piloto. A lembrança aos infratores psicopatas sobre as consequências imediatas de seus atos --como estar preso e ser enviado de volta à prisão-- pode ajudar a dissuadi-los quanto à reincidência, diz ele.

A conclusão de Newman pode ajudar a persuadir também as autoridades prisionais, a fim de que tratem diferentemente os indivíduos psicopatas. "Acho que isso demonstra que há alguma humanidade ali", diz Hands. "A pesquisa contradiz a crença de que eles sejam robôs."

terça-feira, 13 de outubro de 2009

31% dos lares brasileiros têm morador com doença crônica

Um em cada três domicílios brasileiros tem ao menos um morador com doença crônica. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada pelo Datafolha para uma empresa farmacêutica, entre 18 e 22 de agosto.

É chamada crônica a doença que interfere no estado do paciente por período prolongado. Muitas, como o diabetes e a hipertensão, podem ser controladas, mas não curadas. Não tratadas, podem levar à incapacitação e à morte precoce.

O envelhecimento da população é um dos principais fatores para o aumento de doenças crônicas no mundo todo, segundo a pesquisadora Maria Lúcia Lebrão, da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Lebrão diz que há pesquisas apontando que 82% dos moradores da cidade de São Paulo com mais de 66 anos têm ao menos uma dessas doenças. A mais comum é a hipertensão.

Em termos da população em geral, considerando todas as faixas etárias, 30% é um número bem alto, na avaliação de Lebrão. "É preciso uma série de medidas para permitir que essa população controle a doença e para garantir a sua qualidade de vida. E isso não é só distribuir medicamentos. Uma das maiores dificuldades para o controle da doença crônica é garantir a aderência ao tratamento."

O aumento da expectativa de vida pode dificultar ainda mais a situação. "Conseguimos jogar a mortalidade para frente. Agora, o nó da questão é saber se as pessoas vão começar a apresentar a doença crônica na mesma idade ou mais tarde. Se continuarem a ficar doentes na mesma idade e viverem por mais tempo, teremos que cuidar delas por um período mais prolongado, e o impacto disso na saúde pública é enorme."

Na pesquisa feita pelo Datafolha, a maioria dos pacientes crônicos vai ao médico regularmente e toma medicamentos -quase metade (49%) adquire os remédios gratuitamente. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Stephen Stefani, do comitê latino-americano da Sociedade Internacional de Farmacoeconomia e Estudos de Desfechos, que ajudou a elaborar as perguntas da pesquisa, diz que a ideia é quantificar o problema, para a elaboração de estratégias de prevenção e controle mais eficazes -tanto para o paciente quanto para o sistema de saúde- além de mapear a ocorrência dessas doenças no país.

A menor prevalência de doenças crônicas foi observada na região Norte (23%), e a maior, no Nordeste (36%).

O percentual de domicílios com doentes crônicos, 31%, corresponde grosso modo aos números observados nos países desenvolvidos ocidentais, segundo Stefani. "Mas, embora não tenhamos esse dado na pesquisa, acredito que em vários países desenvolvidos o manejo desses pacientes seja melhor, garantindo uma melhor qualidade de vida", diz ele.

O professor de clínica médica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Paulo Olzon ressalta que a melhor estratégia para manejar a doença crônica é a prevenção primária (com alimentação saudável e prática regular de exercícios, por exemplo). "Se você muda os hábitos de vida, a tendência é que os casos dessas doenças diminuam, se desenvolvam mais tardiamente e apresentem menos doenças associadas", diz.

sábado, 10 de outubro de 2009

Após a fase do aleitamento exclusivo, ferro é essencial para a criança


Já virou chavão dizer que o leite materno é o alimento perfeito para o bebê. Mas, quando o assunto é tão importante assim, nunca é demais repetir. Afinal, o leite materno fornece todos os nutrientes que o bebê necessita, na quantidade adequada, e facilmente digeridos pelos pequenos. Também é repleto de anticorpos e ajuda a estabelecer o sistema imunológico da criança.

Além disso, contém substâncias que ajudam o desenvolvimento do cérebro e o crescimento da criança. "O leite materno é tudo o que o bebê precisa. É uma fonte riquíssima de nutrientes e anticorpos, sustenta e protege a criança, contribuindo para seu desenvolvimento adequado", aponta a nutricionista Marina Salgado.

Estudos comprovam que bebês que são alimentados exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade têm menos cólica, dor de ouvido e doenças respiratórias, além de ter menos chances de desenvolver alergias. É por tudo isso que a Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha que os bebês recebam apenas o leite materno até o sexto mês. A partir de então, outros alimentos podem ser apresentados, porém a amamentação deve continuar até a criança completar dois anos.

A partir dos seis meses, o sistema digestivo já está maduro o suficiente para receber comidas sólidas. Nessa fase, é importante apresentar alimentos de fácil mastigação e digestão, e deixar o bebê experimentar texturas e sabores diferentes. A variedade é importante e prepara a criança a aceitar alimentos diferentes quando cresce - além de que diferentes alimentos fornecem diferentes nutrientes.

Como nesse estágio o armazenamento de ferro diminui consideravelmente, os bebês vão precisar repor o mineral através da alimentação. Uma boa fonte de ferro é a carne vermelha, que deve ser cozida e não frita - uma opção é misturar o caldo da carne cozida às papinhas preparadas em casa.

Outras fontes de ferro são os vegetais folhosos de cor verde-escura, como agrião e couve, e leguminosas, como o feijão, a ervilha e a lentilha. Como os ossos do bebê estão em desenvolvimento, é preciso também garantir a ingestão de cálcio. A melhor fonte de cálcio é o próprio leite materno, que deve ser consumido na quantidade de 500 ml a 600 ml por dia.

Nessa fase deve-se evitar sal e açúcar, além de frituras, peixes, mariscos e ovos. "Também devem ser evitados queijinhos, iogurtes, bolachas recheadas e produtos industrializados, pois não são muito nutritivos e podem desencadear alergia nos bebês", aponta Salgado.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Cegueira pode mesmo intensificar outros sentidos, diz estudo

afirmação familiar é tema de muitos roteiros de Hollywood --como "Demolidor", no qual a repentina cegueira de um advogado intensifica seus outros sentidos e o transforma em super-herói. Estudos sugerem que a história é mais real que fantasia.

Numa série de estudos, neurocientistas da McGill University testaram participantes cegos e com visão normal para verificar a percepção e habilidade de localizar sons.

Os participantes cegos geralmente tiveram pontuação maior, o que foi uma grande surpresa --até que os cientistas descobriram que o momento em que os participantes tinham ficado cegos afetava seu desempenho.

Os cegos de nascença se saíram melhor, os que ficaram cegos quando crianças ficaram um pouco atrás, e os que perderam a visão após os dez anos de idade não foram melhores que os participantes de visão normal.

A implicação é que um cérebro jovem poderia ser requalificado para que as áreas de processamento visual fossem utilizadas com outros propósitos.

Talvez a maior prova disso tenha sido mostrada em estudos de imagens cerebrais, nos quais cientistas descobriram que indivíduos cegos que melhor puderam localizar um som envolviam tanto o córtex auditivo quanto o occipital, onde ocorre a percepção visual. Participantes cegos que tiveram baixo desempenho, assim como os indivíduos de visão normal, tiveram pouca ou nenhuma atividade no lóbulo visual.

Outros estudos tiveram resultados similares com a identificação de odores e sensações táteis.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Prematuridade mata 1 milhão de bebês ao ano no mundo

Mais de um milhão de crianças morrem a cada ano no mundo em razão da prematuridade, revela um estudo financiado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

O trabalho foi divulgado ontem (5) durante uma conferência internacional sobre defeitos no nascimento, em Nova Déli (Índia).

A estimativa é que, por ano, 13 milhões de bebês nasçam antes da 37ª semana de gestação. São quase 10% dos nascimentos.

De acordo com o estudo, a maior taxa de prematuridade é registrada na África, seguida pela América do Norte (Estados Unidos e Canadá).

Só nos EUA, o custo anual do sistema de saúde com os prematuros e seus problemas de saúde chega a US$ 26 milhões.

"Nascimentos prematuros representam um enorme problema global, que tem um grande impacto emocional, físico e financeiro nas famílias, nos sistemas de saúde e nas economias", disse Jennifer Howse, presidente do Instituto March of Dimes, entidade norte-americana que faz pesquisas sobre prematuridade.

A taxa média de prematuros no mundo é estimada em 9,6% de total de nascimentos. Na África, chega a 12%. No Brasil, o índice de bebês prematuros cresceu 27% em dez anos (entre 1997 e 2006), saltando de 5,3% do total de nascimentos (153.333) para 6,7% (194.783).

domingo, 4 de outubro de 2009

Câncer ocupacional mata cerca de 200 mil pessoas a cada ano no mundo

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que cerca de 200 mil pessoas morrem a cada ano no mundo por algum tipo de câncer relacionado ao ambiente de trabalho.

Segundo a coordenadora de Vigilância e Prevenção do Câncer do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Silvana Rubano Turci, não existem números sobre o câncer ocupacional no Brasil. Ela afirma que quando a doença é diagnosticada não se faz uma entrevista com o paciente para conhecer sua rotina, hábitos e as possíveis causas da doença.

Silvana explica que os principais fatores associados ao câncer são o tabaco, a alimentação, a exposição ocupacional, a exposição à radiação e ao sol. De acordo com ela, é difícil relacionar o câncer à exposição a um só fator.

"A gente tem uma série de fontes e fica muito difícil estabelecer que aquele determinado câncer está relacionado a uma só exposição, mas pode sim estar relacionado a exposições com baixas doses durante a vida toda e não a um único agente, mas a vários agentes e a uma mistura desses agentes" explica.

Um dos fatores que causa câncer é o amianto. O presidente da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), Eliezer João de Souza, luta pela proibição do uso do produto no país e conta que nos 13 anos em que trabalhou em uma empresa que usava amianto não foi alertado do risco que corria.

"Eu e todos os funcionários, uma média de 10 mil, que trabalharam nessa empresa. A gente foi enganado, ninguém sabia que o amianto era cancerígeno. Aí um monte de gente que já morreu, e outras ficaram doentes, tiveram mesotelioma, câncer de pulmão, de laringe", conta Eliezer.

Segundo estimativas do Inca, a projeção para o ano 2020 é que 15 milhões de pessoas apresentem novos casos de câncer.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Falta de diagnóstico simples prejudica prevenção de câncer do intestino

Aos 101 anos de idade, o arquiteto Oscar Niemeyer foi operado de urgência para retirada de um tumor de intestino que estava sangrando e que foi detectado durante o período pós-operatório de outra cirurgia. O que fazer para não ser surpreendido por uma situação como essa? Existem métodos de diagnóstico mais precoces desses tumores?

Menos da metade das pessoas faz exame preventivo para câncer do intestino. O diagnóstico de um tumor do intestino começa muitas vezes com a pesquisa do sangue oculto nas fezes. É um teste simples, que pode indicar a necessidade de uma investigação mais profunda.

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De janeiro a outubro de 2007 só 74 mil colonoscopias foram realizadas em um universo de mais de 15 milhões de brasileiros acima dos 60 anos
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Porém, o método que permite melhor oportunidade de diagnóstico precoce é a colonoscopia. A colonoscopia é um exame endoscópico que permite a detecção precoce dos tumores do intestino grosso, aumentando as possibilidades de tratamento curativo.

O câncer do intestino grosso ou cólon é muito comum em homens e mulheres e causa milhares de mortes todos os anos. No Brasil esses tumores respondem por cerca de 8% dos óbitos por neoplasias malignas a cada ano.

Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas com o diagnóstico precoce. A taxa de sobrevivência das pessoas diagnosticadas e tratadas na fase inicial é de mais de 90% nos primeiros cinco anos. Infelizmente, mesmo nos Estados Unidos só 39% dos tumores são descobertos nessa fase.

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A colonoscopia é um dos poucos métodos diagnósticos que também são terapêuticos
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A colonoscopia faz parte das diretrizes internacionais de prevenção e é indicada para todos os indivíduos acima dos 50 anos de idade. Nos casos de pessoas com histórico familiar para câncer do intestino, o exame deve ser realizado mais cedo, a critério do médico que acompanha o paciente.

A colonoscopia, que permite a visualização direta de todo o intestino grosso, é um dos poucos métodos diagnósticos que também são terapêuticos, já que os pólipos ou pequenos tumores descobertos durante o procedimento podem ser retirados de pronto.

A baixa utilização do método de diagnóstico se repete no Brasil, onde o Ministério da Saúde registrou de janeiro a outubro de 2007 a realização de apenas 74 mil colonoscopias, em um universo de mais de 15 milhões de brasileiros acima dos 60 anos. Desse grupo, 77% foram feitas nas regiões Sul e Sudeste.

Somente com a implementação de políticas de prevenção efetivas e abrangentes poderemos diminuir o impacto dessa doença que mata mais de 10 mil pessoas por ano em nosso país.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Novo Código de Ética proíbe médico de receitar medicamento para ganhar comissão

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou no Diário Oficial da União de hoje (24) o novo Código de Ética Médica. A principal novidade é que os médicos ficam proibidos de recomendar a pacientes o uso de determinado medicamento para ganhar comissão da indústria farmacêutica. Em palestras e trabalhos científicos, os profissionais precisarão deixar claro se recebem patrocínio.

Outra novidade é a que proíbe os médicos de se submeterem à pressão de hospitais e clínicas para atender o maior número de pacientes por jornada. A resolução do CFM também proíbe a criação de embriões para pesquisa e a escolha do sexo do bebê nas clínicas de reprodução assistida.

De acordo com o novo código, o paciente terá direito à informação sobre a própria saúde e sobre as decisões relacionadas ao tratamento, que terão de ser tomadas sempre em parceria com o médico.

Para o presidente do CFM, Edson de Oliveira Andrade, o código é uma reafirmação de um discurso de compromisso da profissão médica com a população. O documento é resultado de dois anos de debates e análises de entidades e especialistas.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Leis antifumo reduziram ataques cardíacos em um terço, dizem estudos

Dois estudos americanos publicados nesta semana indicam que as leis antifumo tiveram um impacto bem maior do que o esperado na prevenção de ataques cardíacos.

Os estudos apontam que o número de ataques cardíacos na Europa e América do Norte chegaram a cair em torno de um terço após a introdução das leis que proíbem o fumo em locais públicos.

O primeiro estudo, realizado pela Universidade do Kansas, realizou uma revisão sistemática de 10 relatórios de 11 regiões diferentes nos EUA, Canadá e Europa que adotaram as leis antifumo.

Os resultados, publicados na revista científica Journal of the American College of Cardiology, indicam que o número de ataques cardíacos reduziu em até 26% por ano depois da adoção das leis.

"A proibição do fumo em locais públicos parece ser tremendamente eficaz em reduzir os ataques cardíacos e, teoricamente, também podem prevenir o câncer de pulmão e o enfisema", afirmou David Meyers, que liderou a pesquisa.

Segundo ele, os benefícios cardíacos aumentaram conforme o tempo de vigência das leis.

O pesquisador afirma que os primeiros efeitos positivos puderam ser percebidos logo nos três primeiros meses de vigência das leis, quando o número de ataques cardíacos já apresentou um declínio.

Efeito positivo

A segunda pesquisa sobre o assunto, realizada pela Universidade da Califórnia e publicado na revista científica Circulation, analisou 13 pesquisas sobre o tema realizadas na América do Norte, Itália, Escócia e Irlanda.

Os resultados mostram que, apesar das diferenças regionais, a redução do risco de ataques cardíacos após a adoção das leis antifumo foram consistentes e chegaram a 17% apenas no primeiro ano de vigência da lei.

Assim como na pesquisa anterior, o impacto positivo das leis também aumentou conforme o tempo de vigência da legislação e o risco de ataques cardíacos chegou a cair 36% nos três anos após a adoção das novas leis.

"Obviamente não vamos reduzir os ataques cardíacos a zero, mas essas descobertas nos dão provas de que no curto e médio prazo, a proibição dos fumos em locais públicos prevenirá muitos ataques", disse James Lightwood, que liderou a pesquisa.

"O estudo contribui para as fortes evidências de que o fumo passivo causa ataques cardíacos e que aprovar leis antifumo em locais de trabalho e espaços públicos é algo que podemos fazer para proteger o público", afirmou o pesquisador.

De acordo com Ellen Mason, da ONG British Heart Foundation, o estudo mostra o impacto positivo das legislações que proíbem o fumo em locais públicos na saúde cardíaca.

"As estatísticas mostram ainda a rapidez com a qual os benefícios podem ser sentidos depois da adoção das leis e indicam como o fumo passivo pode ser perigoso para o coração", disse Mason.

"Se você é um fumante, a única coisa grande que pode fazer para prevenir ataques cardíacos é parar de fumar, o que também pode proteger a saúde de seus amigos e familiares", afirmou.